domingo, 19 de janeiro de 2014

VOLTA ÀS AULAS

VOLTA ÀS AULAS


 
Primeiro dia de aula.

Um dia de expectativas para os alunos e professores. Data em que evidência a troca de alegria, ansiedade manifestada pelo reencontro ou encontro para os novatos. Muitos alunos se sentem um pouco inseguros no inicio, afinal todos estão ansiosos em conhecer seus futuros colegas, amigos e o novo professor.
O papel do professor é fundamental nesse primeiro momento, visto que é neste dia que o professor irá ter a primeira impressão de sua turma, este é o momento apropriado para estabelecer e fortalecer os vínculos afetivos que podem contribuir para que o processo ensino-aprendizagem aconteça de forma prazerosa, pois todos ali irão compartilhar um ano de troca de aprendizagem e experiências.
Neste dia o professor deve procurar preparar uma aula especial, com momentos de descontração. É nesse dia em que o professor irá apresentar sua metodologia, sua proposta, seus objetivos de estudos. É muito importante que o professor saiba ouvir e promover um diálogo entre a turma para que os mesmos coloquem seus pontos de vista e que juntos, professores e alunos possam construir suas regras e combinados, enfim, criarem um elo de comprometimento e respeito entre todos. O aluno deve sentir que ele faz parte do espaço escolar, deve sentir querido, seguro, pois a aprendizagem se dá na relação entre as pessoas.


Dicas!!!



É! As férias estão chegando ao fim e logo, logo vamos iniciar mais um ano letivo. Está na hora de começar preparar uma aula bem legal para receber nossos alunos.

Uma sugestão bem divertida é fazer uma dinâmica de grupo para integrar alunos e professores, promover a apresentação da turma e estimular os laços de amizade.
Abaixo eu vou postar duas dinâmicas para compartilhar com vocês.

1-    Dinâmica: Memorização de nomes

Objetivo: Promover a apresentação entre os participantes, possibilitando a memorização dos respectivos nomes e promovendo a socialização, integração e um relacionamento amistoso.
Início da Dinâmica
      ·         Formar uma roda, tomando o cuidado de verificar se todas as crianças estão sendo vistas pelos demais colegas.
        ·         Combinar com o grupo para que lado a roda irá girar.
        ·         O professor começa com a apresentação e depois pede que os alunos se apresentem da seguinte maneira.
Eu sou... a (o) (Andréa) e você, quem é?
(O professor inicia a atividade se apresentando e passará a vez para cada aluno. Por exemplo: "Eu sou João, e você, quem é?" "Eu sou Márcia, e você, quem é?" "Eu sou Lívia, e você quem é?").
Uma outa opção é falar a frase:
 "Sou eu fulano (Andréa), que vim para ficar; sou eu, fulano (João), que vim participar." É importante que cada um fale o seu nome, pois este simples exercício trabalha a autoestima.



2-    Dinâmica: O seu rei mandou... (Abraçando amigos)

Forme uma roda. Colocar uma música de fundo bem agradável. Informe os alunos que eles devem ficar atentos aos comandos.
O professor irá dizer: Boca de forno, os alunos respondem (forno) – Professor - Abacaxi (alunos - xi) maracujá (alunos - já). Professor: o seu rei mandou "Abraçar de três" e todos começam a se abraçar em grupo de três; "abraço de cinco", "abraço de um", "abraço de todo mundo." “abraçar só meninas”, “só meninos”, “abraçar a professora e assim por diante”. Use a criatividade. É importante que o educador esteja atento para que todos participem.

3 - Dica de música para os primeiros dias de aula

Uma dica legal de música a ser trabalhada com os alunos é a música do professor: Éliton Rufino Seára de Itajaí/SC. Música: "Meu amigo eu vou respeitar"
Através da música será trabalhado o respeito entre os colegas e professores, a socialização, a integração da turma, etc.

4 - Atividades para os primeiros dias de aula










5-  SEQUÊNCIA DIDÁTICA: O COELHINHO QUE NÃO QUERIA ESTUDAR

Objetivos 
-  Estimular o gosto pela leitura.
- Explorar a Oralidade.
- Distinguir letras de números e outros sinais gráficos.

- Desenvolver atitudes de convivênvia e respeito. 


Conteúdos
- Práticas de leitura e escrita. 
- Apropriação do Sistema de escrita. 

- Compreensão e direção convencional da escrita.
- Interpretação Oral


Ano:
1º ANO 
Tempo estimado 
Dez aulas. 
Material necessário 
Folhas de sulfite, lápis preto, borracha, lápis de colorir, atividades xerocadas, tesoura, cola.
Avaliação

A avaliação se dará a partir de observações do desempenho, interesse e participação dos alunos nas atividades propostas.


História:
O COELHINHO QUE NÃO QUERIA ESTUDAR
Desenvolvimento 


1º momento:

Levantamento de hipóteses
- Apresentar o título. Sugestões: escrever no quadro ou num cartaz, tiras de papel com ilustrações...
- Onde vocês imaginam que acontece a história?
- Irá contar história sobre quem?
_ Na opinião de vocês porquê o Coelhinho não queria estudar?
- Será que terá outros personagens na história? Quais seriam (anotar no quadro as sugestões)
- O que imaginam que irá acontecer com o coelho?
- Será que no final da história o coelhinho vai querer ir à escola? 

2º momento:
- Contação da história;

O COELHINHO QUE NÃO QUERIA ESTUDAR
Personagens: Coelhinho Juquinha, coelhinhos irmãos de Juquinha, tio Coelho, pássaro mensageiro, coelhinha e vários animaizinhos da floresta.

*Caracterizar as crianças; escolher um narrador. 


Na floresta, todos os filhotes de animais iam à escola. Só um ficava em casa, o coelhinho Juquinha.
- Aprender a ler? Para que? Eu não preciso disso, posso muito bem encontrar cenouras sem saber ler. Eu vou é me divertir.
Todos os animaizinhos tinham ido à escola, Juquinha resolveu distrair-se e pensou:
- Vou à casa do tio Coelho ouvir histórias.
Juquinha chegou à casa do tio Coelho, bateu... Chamou... Chamou, ninguém respondeu. Tio Coelho tinha deixado um aviso na porta, mas Juquinha não sabia ler e pensou:
- Com certeza tio Coelho foi fazer alguma visita. Vou embora.
Aborrecido por não ter encontrado o tio em casa, e cansado de tanto andar, Juquinha com surpresa avista o tio.
- Estou vindo de sua casa, tio Coelho. Que pena o senhor ter ido fazer visita justamente hoje.
- Fazer visitas? Você não leu o aviso que coloquei na porta?
Juquinha ficou muito desapontado e não respondeu. Tio Coelho se lembrou de que ele não sabia ler e explicou:
- Pois o aviso dizia: volto já, sente-se e espere um pouco.
- Ah! Então é isso que os avisos dizem. Pois já sei, agora aprendi.
No dia seguinte Juquinha foi à casa do senhor João de Barro conversar um pouco. Seu João de Barro não estava. Mas, bem embaixo de sua casa, havia uma cadeira com um aviso.
- Agora, já sei ler avisos. Senhor João de Barro volta já, vou sentar e esperar um pouco. Que horror! Sujei-me todo de tinta, por que não me avisaram?
Um pássaro mensageiro que passava disse: 
- Que é isto, Juquinha? Você não viu o aviso sobre a cadeira? Ah! Você não sabe ler, não é? Este papel na cadeira diz: tinta fresca.
- Como eu me enganei, mas agora eu não me engano mais. Já sei tudo sobre avisos.
Juquinha foi embora. Quando ele chegou em sua casa, viu a caixa do correio aberta. Dentro dela havia um papel.
- Já sei, não devo chegar perto da caixa, ela foi pintada de novo, aquele papel diz: tinta fresca. Vou passar bem longe.
No dia seguinte, Juquinha notou um movimento diferente. Parecia que estava acontecendo alguma coisa fora do comum. Havia muitos animaizinhos passando na rua. Eles não tinham ido à escola, carregavam doces, balas, bombons e salgados. Juquinha resolveu ir ver aonde eles iam e começou a acompanhá-los às escondidas. Os animais estavam parando no meio da floresta. Debaixo de uma árvore, colocavam os doces, salgados e bebidas.
- Um piquenique! E não me convidaram!
A coelhinha sua amiga viu Juquinha chorando e lhe perguntou:
- Por que você está chorando, Juquinha?
- Eu não fui convidado para o piquenique, ninguém se lembrou de mim.
- Lembraram sim, Juquinha. Eu vi o carteiro colocando o convite na caixa do correio de sua casa.
- Então aquilo era um convite? Pensei que fosse um aviso sobre tinta fresca.
- Ora Juquinha, que vergonha! Você precisa aprender a ler.
- Então eu fui convidado para o piquenique, que bom! Pensei que eles tinham se esquecido de mim, eu preciso aprender a ler, preciso aprender a ler. Amanhã mesmo eu vou começar. Serei o primeiro a chegar à escola.

Após a historia, conversar com os alunos e ver se as hipóteses levantadas se confirmaram e quais das hipóteses mais se aproximaram da história ouvida.
Ø  Reconto
Será que alguém saberia recontar a história que ouviram? Dar a oportunidade dos alunos fazerem o reconto.
Ø  Dar uma folha e pedir que ilustrem a história.

3º momento:

INTERPRETAÇÃO ORAL DA HISTÓRIA
A) QUAL É O TÍTULO DA HISTÓRIA?
B) QUAL O NOME DO COELHINHO QUE NÃO QUERIA ESTUDAR?
C) PARA O COELHINHO JUQUINHA, PORQUE ELE NÃO PRECISAVA IR A ESCOLA?
D) QUAL FOI O 1º PASSEIO DO COELHO JUQUINHA?
E) O QUE O COELHO JUQUINHA FOI FAZER NA CASA DO TIO COELHO?
F) O QUE TINHA NO AVISO DA PORTA DA CASA DO TIO COELHO? PARA QUE SERVEM OS AVISOS? ONDE PODEMOS ENCONTRÁ-LOS?
G) O SEGUNDO PASSEIO DO COELHO JUQUINHA FOI NA CASA DO SENHOR JOÃO DE BARRO. QUE EPISÓDIO ACONTECEU NESTA VISITA? POR QUÊ?
H) O QUE TINHA NO AVISO NA CASA DO SENHOR JOÃO DE BARRO?
I) POR QUE O COELHO JUQUINHA SENTIU NECESSIDADE DE IR À ESCOLA?

-Discutir com alunos ao longo das aulas a importância de se estudar.

_ E vocês? Acham importante vir à escola e estudar? O que esperam aprender aqui na escola esse ano?

Ø  Apresentar um cartaz com um aviso de tinta fresca e pedir que os alunos façam a leitura ou se eles imaginam o que está escrito. Após, fazer a leitura e discutir com eles como poderia ser feito um cartaz com essa informação para quem ainda  não sabe ler.

Ah! E se fossemos todos aqui da sala fazer uma visita ao Senhor João de Barro, será que todos sentariam na cadeira com tinta fresca? Algum de vocês sabe ler?
                              


4º momento:

- Conversar com as crianças sobre a importância da leitura.
- Fazer leitura das placas existente na sala de aula.
- Fazer um passeio pelos diversos ambientes da escola apresentando cada local, as pessoas que ali trabalham, o que fazem, explorar as placas destes locais.

Ø  Construindo e escrevendo uma lista:
- Retornar para sala e fazer uma lista dos locais visitados (ver se neste momento já seria possível registrar no quadro para copiarem) 


5º momento:

Retomar a história do coelhinho que não queria estudar.
- Vamos imaginar que o coelhinho Juquinha chegou à escola e corria o tempo todo, falava alto, brigava com os colegas e mexia em seus materiais, jogava lixo e merenda no chão, em pouco tempo o coelhinho estava sozinho e sem colegas, pois por todos os lados tinham placas de orientações, mas ele não as conhecia.
Ø  Conversar com os alunos sobre a importância das regras de vivência e convivência.
Ø  Construir oralmente e escrever no quadro as regras para o bom convívio com os colega, a professora e no ambiente dentro da sala de aula.
 Anotar as regras e combinados e fazer um cartaz para fixar na sala de aula. Explorar sobre o cartaz, para que serve, onde encontramos para quem é destinado... Solicitar aos alunos sugestões para ilustrar cada regra, assim, os alunos que ainda não sabem ler podem entender as regras e retomá-las sempre que for necessário. “Eleger” as sugestões mais criativas  para ilustrar o cartaz de regras da turma.


6º momento:


Ø  Apresentar um cartaz com letras e outros símbolos gráficos.
O coelho Juquinha escreveu um cartaz e levou para sala:

Coletivamente, vamos colorir no cartaz apenas as letras e formar uma palavra. Professor, escrever a palavra no quadro

COELHINHO

Distribuir uma folha branca e pedir que copiem a palavras.
circular a 1ª letra= c
fazer um x  na última letra.
Colorir cada letra. Quantas letras uso para escrever a palavras? Escreva o numeral na frente.

COELHINHO= 9

Quantos armários tenho na sala? E quantas meninas tem? O carro tem quantas rodas?  O aluno ........... tem quantos anos? Quantos dias tem a semana?
Quando respondo à estas perguntas utilizo letras ou números ?  

Ø  Confeccionar um cartaz de letras e números. Distribuir revistas e jornais e pedir que em grupos recortem letras e números e quando forem colando perguntar que letra é essa, o que posso escrever com ela? Que número é este, o que tem na sala que representa esta quantidade?



Ø  7º momento:
Ø  A primeira coisa que o coelhinho aprendeu que para escrever usamos as letras e que todas as letras que usamos são 26 e elas formam o alfabeto.
Ø  Explorar com os alunos o alfabeto exposto em sala. Cantar musica relacionado com alfabeto.
1 - CIRCULE DE VERDE A LETRA O E DE LARANJA A LETRA E,

COELHO

2 - COMPLETE A PALAVRA COM AS VOGAIS:
A – E – I – O – U
C
L
H


8º momento:

Escrever um cartaz com a letra da música abaixo.
Fazer a leitura da música passando o dedo para que os alunos percebam a orientação da escrita (da esquerda para a direita, de cima para baixo).
Cantar a música com eles.

Pedir que encontrem no cartaz a palavra: ESTUDAR
Com que letra inicia esta palavra e com qual termina, então vamos encontrá-la ?

Mas no cartaz tem duas palavras começadas com a letra E, qual delas seria ESTUDAR?
Escrever no quadro as duas palavras e explorar, questionar, e perguntar como chegaram a conclusão de qual das palavras é. 

MÚSICA:
MAMÃE EU QUERO
MAMÃE EU QUERO
MAMÃE EU QUERO
MAMÃE EU QUERO ESTUDAR.
QUERO BRINCAR, 
LER E ESCREVER
SÓ AQUI NA ESCOLA
É QUE EU VOU APRENDER.


Ø Artes
Confeccionar um coelho com dobradura

9º momento:

Educação Física

BRINCADEIRA:
♥ Hop... Hop... COELHINHO
Preparação: As crianças ficam em círculo e um dos jogadores é escolhido para iniciar o jogo.
Desenrolar: O jogador escolhido andará em volta do círculo batendo nas costa de cada um dos seus componentes dizendo à cada batida a palavra "hop". Irá prosseguindo assim até que escolherá um jogador e quando bater nas suas costas ele dirá a palavra "coelhinho". Neste momento ele sai correndo e o jogador escolhido sai correndo atrás dele. O primeiro jogador estará a salvo se conseguir alcançar o lugar ocupado pelo seu perseguidor antes que este bata nas suas costas dizendo a palavra "hop" . Se isto acontecer o perseguidor começará novamente o jogo girando em torno do círculo e batendo nas costas de cada elemento dizendo a palavra "hop". Caso o perseguidor consiga "pegar" o outro ele voltará ao seu lugar e a criança "pega" repetirá novamente as açôes para nova rodada do jogo...

10º momento:
O coelhinho aprendeu muitas coisas e ficou muito feliz, então decidiu fazer uma festa e convidar todos os amiguinhos da floresta.
Construir com os alunos uma lista dos convidados e escrever no quadro para posteriormente copiarem.
LISTA DE CONVIDADOS

Depois da lista pronta é hora de escrever um convite.
Explorar:
Para que serve o convite, a quem é encaminhado, quais informações deve conter nele...
Agora todos juntos  vamos escrever o convite.






Andréa Guimarães - Pedagogia - Universidade Norte do Paraná - UNOPAR, Pós graduada em Psicopedagogia Clínica e Institucional, Supervisão Escolar e Neurociência pela Faculdade ISEIB.
E-mail: andreapguimaraes@gmail.com








domingo, 12 de janeiro de 2014

Por: Andréa Guimarães

O Espaço da Leitura e da Escrita na Educação Infantil

Muito se discute a respeito do momento em que se deve começar o ensino da leitura e da escrita, na educação infantil (Pré-escola).
 No texto: “O espaço da leitura e da escrita na educação pré-escolar”, Emília Ferreiro, propõe uma reflexão sobre a questão: “deve-se ou não ensinar a ler e a escrever na pré-escola?”
O texto apresenta duas opiniões divergentes,  a esse respeito; sendo a resposta a essa pergunta de forma: negativa; decide-se que só no primário deve-se ensinar a ler e a escrever, então nós educadores  tratamos de “limpar” os espaços escolares, sala de aula, não deixando traços da língua escrita, onde os lápis são usados apenas para desenhar.
Quando a resposta é afirmativa: decide-se iniciar o aprendizado da leitura e da escrita antes do primário, assemelhando-se ao 1º ano do primário e a prática docente passa a seguir modelo das tradicionais práticas do primário; onde se trabalha exercício de controle motriz, reconhecimento e cópias de letras, etc. e nenhum uso funcional da língua escrita.
A autora argumenta que está é uma pergunta mal colocada, uma vez que parte do pressuposto de que “são os adultos aqueles que decidem quando e como vai ser iniciado esse aprendizado”(Ferreiro,2000:96). 
Em vez de nos perguntarmos se”devemos ou não ensinar”, temos de nos preocupar em proporcionar as crianças ocasiões de aprender, criando um ambiente alfabetizador, visto que as crianças vivem em uma sociedade letrada e convive com a leitura e a escrita em todo o momento, através dos produtos que consumimos, as etiquetas, outdoors, televisão, da tecnologia cada vez mais avançada, dos brinquedos que a cada dia estão mais sofisticados, o que leva as crianças a quererem descobrir o novo e as incentiva como também facilita a uma alfabetização fora da escola. Portanto, podemos afirmar que nenhuma criança urbana de 6 ou 7 anos, comece o primário com total ignorância da língua escrita.
Nós só poderemos atribuir ignorância às crianças pré-escolares quando pensamos que o “saber” sobre a língua escrita limita-se ao conhecimento das letras. As crianças rurais estão em desvatagens em relação às urbanas, visto que no meio rural a escrita não é tão presente como no meio urbano, o que nos evidência a importância do ensino pré-escolar; em um ambiente “rico” onde a escrita possa ser explorada e que jamais seja proíbida.
Antigamente acreditava-se que as crianças não possuiam nenhum conhecimento ou entendimento com relação à escrita antes de ingressarem na escola, e que para ler era preciso primeiro, aprender o sistema de escrita.
Hoje através de pesquisas, sabemos que as capacidade de leitura não depende do conhecimento do valor sonora de cada letra, pois “ler não é decifrar palavras” (BRASIL,1998, p. 144). Sabemos que a criança está constantemente realizando a leitura do mundo em que está inserida.
Portanto não há um momento especifico para se despertar o interesse pela leitura e ou escrita, da criança na educação infantil, a pré-escola precisa ser um espaço onde a criança tenha contato com a leitura e com a escrita. A pré-escola deveria permitir a todas as crianças a liberdade de experimentar os sinais escritos, num ambiente rico, onde possam escutar alguém ler em voz alta, ver os adultos escrever,  tentar escrever sem a necessidade de estar copiando um modelo, pois ler e escrever se aprende lendo e escrevendo, vendo como as outras pessoas leêm e escrevem, e errando também, pois o erro no começo da aprendizagem da escrita deve ser tratado como natural, no processo de exploração que a criança realiza com a linguagem, do mesmo modo que entendemos os erros quando a criança começa a falar.

Nós educadores devemos respeitar o ritmo próprio de cada criança, partindo do pressuposto que são seres únicos, com desenvolvimentos e necessidades individuais, devemos como mediadores desse processo favorecer a troca de idéias e proporcionar atividades diversificadas para cada necessidade, bem como proporcionar um ambiente rico em desafios, respeitar a espontaneidade e a criatividade da criança, buscar fundamentos téoricos e metodológicos que possibilitem a reflexão de sua prática,  propiciando o desenvolvimento da linguagem oral e escrita de maneira dinâmica e integrada.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
  
LUGLE, Andréia Maria Cavaminami. FUNDAMENTOS E METODOLOGIAS DO ENSINO DA LIGUAGEM ORAL E ESCRITA. Curso Superior de Pedagogia – Módulo 3 e Slides.

FERREIRO, Emília. O espaço da leitura e da escrita na educação pré-escolar. In: Reflexões sobre alfabetização. São Paulo: Cortez. 2001.

XAVIER, Marcelo. O dia-a-dia de Dada. São Paulo: Livraria Saraiva. 2005. Coleção Conte Outra Vez.



Andréa Guimarães - Pedagogia - Universidade Norte do Paraná - UNOPAR, Pós graduada em Psicopedagogia Clínica e Institucional, Supervisão Escolar e Neurociência pela Faculdade ISEIB. 
E-mail: andreapguimaraes@gmail.com

 Por: Andréa Guimarães

A IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO INFANTIL.

Durante décadas, a avaliação, foi um instrumento ameaçador e autoritário. Está mudando; mas continua sendo um dos grandes desafios da educação moderna.
O universo da avaliação escolar é simbólico e instituído pela cultura da mensuração, legitimado pela linguagem jurídica dos regimentos escolares, que legalmente instituídos, funcionam como uma vasta rede e envolvem totalmente a escola. (LUDKE; André, M. 1996).

Historicamente a avaliação na educação infantil desponta como um “elemento de controle sobre a escola e sobre as professoras; que se vêem com a tarefa de formalizar e comprovar o trabalho realizado via avaliação das crianças” (HOFFMAN, 1996, p. 9),
Acreditar que tais notas ou conceitos possam por si só explicar o rendimento do aluno e justificar uma decisão de aprovação ou retenção, sem que sejam, analisados os processos de ensino aprendizagem, as condições oferecidas para promover a aprendizagem do aluno, a relevância deste resultado na continuidade de estudos, é sobre tudo tornar o processo avaliativo extremamente reducionista. Este tipo de avaliação, unicamente “medida”, é ranço do positivismo; e pressupõe que as pessoas aprendem do mesmo modo, nos mesmos momentos e tenta evidenciar competências isoladas, mas avaliação é muito mais ampla que a medição ou a qualificação.
Segundo Luckesi (1999, p. 43), “Para não ser autoritária e conservadora, a avaliação tem a tarefa de ser diagnóstica, ou seja, deverá ser o instrumento dialético do avanço, terá de ser o instrumento da identificação de novos rumos”.
A avaliação é parte fundamental do processo ensino aprendizagem e tem por finalidade acompanhar o desenvolvimento da criança e replanejar a prática pedagógica.
“A função nuclear da avaliação, é ajudar o aluno a aprender e ao professor, ensinar” (Perrenoud. 1999).
 Transformar a prática avaliativa significa questionar a educação desde as suas concepções, seus fundamentais, sua organização, suas normas burocráticas; significa mudanças conceituais, redefinição de conteúdos, das funções docentes, entre outras.
A avaliação deve ser: contínua, formativa e personalizada, concebendo-a como mais um elemento do processo de ensino aprendizagem, o qual permite conhecer o resultado de nossas ações didáticas e, por conseguinte, melhorá-las, dando ênfase no aprender.
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LBD), aprovada em 1996, determina que a avaliação seja contínua e cumulativa e que os aspectos qualitativos prevaleçam sobre os quantitativos.
Portanto o educador deve ter sempre em mente que o ato de avaliar se faz presente em todos os momentos da vida humana, bem como em todos os momentos da sala de aula, pois alunos e professores estão permanentemente avaliando a tudo e a todos. São formulados juízos em diferentes sentidos e são estes juízos que vão orientar a tomada de decisão e o estabelecimento de relações que podem ser as do grupo como um todo, incluindo o professor.
Na educação infantil a avaliação deverá privilegiar os interesses e as necessidades de cada criança, confiar em suas tentativas de aprender erro/acerto, valorizar suas descobertas, também deverá ser compartilhado com as crianças as observações que sinalizam seus avanços e suas possibilidades de superação e dificuldades; só assim poderíamos dizer que realmente estamos chegando a um modelo avaliativo centrado na criança, e que tal modelo ajudará a formar o adulto de amanhã.
   Diante do disposto, percebemos que é urgente o repensar do significado da ação avaliativa no contexto educacional. Qualquer prática inovadora desenvolver-se-ao em falso se não alicerçadas por uma reflexão profunda sobre concepções de avaliação/educação. Neste sentido propomos uma ação coletiva e cooperativa entre os educadores no levantamento e discussão de questões avaliativas, no sentido de trocar idéias, levantar problemas, construir em conjunto um re-significado para a sua prática, pois a reconstrução da avaliação só acontecerá por uma ação continuada e que ultrapasse os muros das instituições.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

HOFFMANN, J. M. L. Avaliação: mito e desafio: uma perspectiva construtivista. Porto Alegre: Mediação, 1991
LUCKESI, C. C. Avaliação da aprendizagem escolar. 9. ed. São Paulo: Cortez, 1999.
LUDKE, M: André, M.E.D. A. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. 6. ed. São Paulo: EPU, 1986
PERRENOUD, P. Avaliação: da excelência à regulação das aprendizagens. Porto Alegre: Artmed, 1999
Revista Nova escola: A revista do professor Janeiro/ fevereiro de 2003, ed. Abril.
Revista Nova escola: A revista do professor novembro de 2001, ed. Abril.STEINLE, Marlizete Cristina Bonafini. Organização do Trabalho Docente na Educação Infantil. Curso Superior de Pedagogia - Módulo III, Slides e os textos complementares.

Andréa Guimarães - Pedagogia - Universidade Norte do Paraná - UNOPAR, Pós graduada em Psicopedagogia Clínica e Institucional, Supervisão Escolar e Neurociência pela Faculdade ISEIB. E-mail: andreapguimaraes@gmail.com




Importância do Brincar para a primeira infância

Por: Andréa Guimarães

“A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR PARA A PRIMEIRA INFÂNCIA”



Nos dias atuais, às crianças estão cada vez mais “antenadas”; passam grande parte do tempo em frente à televisão, no computador, no vídeo-game, e estão compartilhando do mundo adulto, o que acaba levando-as de forma precoce a assumirem responsabilidades que não são próprias para esta fase da vida.
Tudo isso está contribuindo para que cada vez menos, as crianças possam realizar algo imprescindível e de fundamental importância para seu desenvolvimento: Brincar.
Estudos realizados por vários teóricos e especialistas neste campo, comprovam e evidenciam a importância e a influência do brincar para desenvolvimento da criança, principalmente na faixa etária da educação infantil, pois é através da brincadeira que a criança aperfeiçoa uma infinidade de estímulos vitais para sua formação, entre as quais: a coordenação motora, criatividade, raciocínio, identidade, autonomia, comunicação, socialização e aprende a respeitar o próximo. O ato de brincar passou a ser valorizado como algo essencial ao desenvolvimento da criança e próprio da natureza humana, visto que até pouco tempo atrás o brincar era considerado algo desvinculado de importância.
Hoje há uma preocupação por parte dos psicólogos, pedagogos e profissionais da educação sobre a importância do brincar para a primeira infância, e as mudanças na legislação e nas concepções educacionais, obrigam os governos a repensar suas políticas educacionais, não só do ponto de vista do conceito do trabalho a ser desenvolvido, mas também das reorganizações de tempos e de espaços e a formação dos profissionais da educação.
Cabe a nós educadores conhecermos as etapas do desenvolvimento psicomotor das crianças suas necessidades e interesses, bem como as características de cada faixa etária para melhor planejar a ação docente. Estimular a aprendizagem da criança através das brincadeiras, dos jogos pedagógicos etc., respeitando a individualidade e o conhecimento que cada um trás consigo, conhecer a criança com quem vai trabalhar entendê-lá como sujeito social e histórico, proporcionando-a uma maior interação com o meio em que vive e com as pessoas que a rodeiam.
Ressalta-se a importância do atendimento integral a criança em seu aspecto físico, psicológico, intelectual, social e cognitivo e a importância de planejarmos diretrizes norteadoras que garantem a qualidade do ensino, bem como projetos pedagógicos que assegurem às crianças, espaços de direitos, de brincadeiras, de curiosidade, do lúdico, do acolhimento, de construção da identidade, de interação das crianças maiores com os menores; das crianças com os adultos e com as famílias.
           
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA


BATISTA, Cleide Vitor Mussini. Fundamentos e Metodologias do Cuidar, Brincar e Educar. Curso Superior de Pedagogia – Módulo 3. 

Andréa Guimarães - Pedagogia - Universidade Norte do Paraná - UNOPAR, Pós graduada em Psicopedagogia Clínica e Institucional, Supervisão Escolar e Neurociência pela Faculdade ISEIB. 
E-mail: andreapguimaraes@gmail.com

sábado, 11 de janeiro de 2014

Transtorno de Déficit de Atenção

 



O que é o Transtorno de Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade (TDAH)        

Antes de sugerir que um aluno tem hiperatividade, veja se é sua aula que não anda prendendo a atenção. Cinco pontos essenciais sobre esse transtorno

À primeira vista, a estatística soa alarmante: de 3 a 6% das crianças em idade escolar sofrem com o Transtorno de Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade (o nome oficial do TDAH), que muita gente conhece somente como hiperatividade. Quer dizer então que, numa classe de 30 alunos, sempre haverá um ou dois que precisam de remédio? Não. Na maioria das vezes, o acompanhamento psicológico é suficiente. E, se o problema for bagunça ou desatenção, vale analisar se a causa não está na forma como você organiza a aula. "Geralmente, a inquietação costuma estar mais relacionada com a dinâmica da escola do que com o transtorno", diz Ma­u­ro Muszkat, especialista em Neuropsicologia Infantil da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Quando o caso é mesmo de TDAH, são três os sintomas principais: agitação, dificuldade de atenção e impulsividade - que devem estar presentes em pelo menos dois ambientes que a crian­ça frequenta. Por tudo isso, nun­­ca é demais lembrar que o diagnóstico precisa de respaldo médico. Veja cinco pontos essenciais sobre o transtorno. 


1. Agitação não é hiperatividade 

 
 Há dias em que alguns alunos parecem estar a mil por hora e nada prende a atenção deles. Isso não significa que sejam hiperativos. O problema pode ter raízes na própria aula - atividades que exijam concentração muito superior à da faixa etária, propostas abaixo (ou muito acima) do nível cognitivo da turma e ambientes desorganizados e que favoreçam a dispersão, por exemplo. Em outras ocasiões, as causas são emocionais. "Questões como a morte de um familiar e a separação dos pais podem prejudicar a produção escolar", diz José Salomão Schwartzman, neurologista especialista em Distúrbios do Desenvolvimento da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo. Nesses casos, os sintomas geralmente são transitórios. Quando ocorre o TDAH, eles se mantêm e são tão exacerbados que prejudicam a relação com os colegas. Muitas vezes, o aluno fica isolado e, mesmo hiperativo, não conversa. 

2. Só o médico dá o diagnóstico 


Um levantamento realizado recentemente pela Unifesp aponta que 36% dos encaminhamentos por TDAH recebidos no setor de atendimento neuropsicológico infantil da instituição são originados da escola por meio de cartas solicitando aos pais que procurem tratamento para o filho. "Em muitos casos, o transtorno não se confirma", afirma Muszkat. A investigação para o diagnóstico costuma ser bem detalhada. Hábitos, traços pessoais e histórico médico são esquadrinhados para excluir a possibilidade de outros problemas e verificar se os aspectos que marcam o transtorno estão mesmo presentes. Como ocorre com a maioria dos problemas psicológicos (depressão, ansiedade e síndrome do pânico, por exemplo), não há exames físicos que o problema. Por isso, o TDAH é definido por uma lista de sintomas. Ao todo são 21 - nove referentes à desatenção, outros nove à hiperatividade e mais outros três à impulsividade. 
3. Nem todos precisam de remédio 


Entre os anos de 2004 e 2008, a venda de medicamentos indicados para o tratamento cresceu 80%, chegando a cerca de 1,2 milhão de receitas, segundo dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Diversos especialistas criticam essa elevação, apontando-a como um dos sinais da chamada "medicalização da Educação" - a ideia de tratar com remédios todo tipo de problema de sala de aula. "Muitas vezes, o transtorno não é tão prejudicial e iniciativas como alterações na rotina da própria escola, para acolher melhor o comportamento do aluno, podem trazer resultados satisfatórios", explica Schwartz­wman. Quando a medicação é necessária, os estimulantes à base de metilfenidato são os mais prescritos pelos médicos. Ao elevar o nível de alerta do sistema nervoso central, ele auxilia na concentração e no controle da impulsividade. O medicamento não cura, mas ajuda a controlar os sintomas - o que se espera é que, juntamente com o acompanhamento psicológico, as dificuldades se reduzam e deixem de atrapalhar a qualidade de vida. Vale lembrar que o remédio é vendido somente com receita e, como outros medicamentos, pode causar efeitos colaterais. Cabe ao médico avaliá-los. 
4. O diálogo com a família é essencial 

Em alguns casos, os professores conseguem participar das reuniões com os pais e o médico. Quando isso não é possível, conversas com a família e relatórios periódicos enviados para o profissional da saúde são indicados para facilitar a comunicação. É importante lembrar ainda que não é por causa do transtorno que professores e pais devem pegar leve com a criança e deixar de estabelecer limites - a maioria das dificuldades gira em torno da competência cognitiva, da falta de organização e da apreensão de informações, e não da relação com a obediência. Durante os momentos de maior tensão, quando o estudante está hiperativo, manter o tom de voz num nível normal e tentar estabelecer um diálogo é a melhor alternativa. "Se o adulto grita com a criança, ambos acabam se exaltando rápido e, em vez de compreender as regras, ela pode pensar que está sendo rejeitada ou mal compreendida", diz Muszkat. 
5. O professor pode ajudar (e muito) 

Adaptar algumas tarefas ajuda a amenizar os efeitos mais prejudiciais do transtorno. Evitar salas com muitos estímulos é a primeira providência. Deixar alunos com TDAH próximos a janelas pode prejudicá-los, uma vez que o movimento da rua ou do pátio é um fator de distração. Outra dica é o trabalho em pequenos grupos, que favorece a concentração. Já a energia típica dessa condição pode ser canalizada para funções práticas na sala, como distribuir e organizar o material das atividades. Também é importante reconhecer os momentos de exaustão considerando a duração das tarefas. Propor intervalos em leituras longas ou sugerir uma pausa para tomar água após uma sequência de exercícios, por exemplo, é um caminho para o aluno retomar o trabalho quando estiver mais focado. De resto, vale sempre avaliar se as atividades propostas são desafiadoras e se a rotina não está repetitiva. Esta, aliás, é uma reflexão importante para motivar não apenas os estudantes com TDAH, mas toda a turma.



Autismo

Autismo

Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM IV) as características essenciais do autismo são a presença de um desenvolvimento acentuadamente anormal ou prejudicado na interação social e comunicação e um repertório marcantemente restrito de atividades e interesses. As manifestações do transtorno variam imensamente, dependendo do nível de desenvolvimento e idade cronológica do indivíduo.
O autismo é uma síndrome – chamada assim por não ter uma causa definida e sim um conjunto de sintomas – que pode variar do mais grave ao mais brando, atingindo todas as etnias e classes sociais, sendo mais comuns em meninos, que afeta crianças em todo o mundo.
No autismo há um comprometimento no desenvolvimento psiconeurológico e afeta a capacidade da pessoa se comunicar, compreender e falar, afetando seu convívio social de forma global, que varia de acordo com o grau e com o diagnóstico que se realizado precocemente – descoberto com cerca de um até dois anos – poderá ter melhores resultados relacionamentos ao desempenho intelectual.
Por não haver um exame específico que detecte o autismo se demora ainda para realizar um diagnóstico que é realizado com base no comportamento da criança, como por exemplo, pelos seus gestos, postura corporal, dificuldade de interação com o outro, ausência de determinados comportamentos e prevalência de outros.
Não se sabe ao certo a causa específica da doença, alguns apontam a forte influência genética na alteração do funcionamento do cérebro do autista, mas muitas são as teorias e pesquisas que tratam das causas do autismo, por não haver consenso considera-se que o distúrbio autista seja considerado fatorial.
Em virtude da variedade de sintomas relacionados aos diferentes níveis e particularidades de cada autista pode haver diferentes linhas de tratamento especificas para cada caso.

Kelli Cardoso
Psicóloga – CRP 03/IP 7001
Fonte: http://psikellicardoso.wordpress.com/

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Dislexia

O que é Dislexia


Entender como aprendemos e o porquê de muitas pessoas inteligentes e, até, geniais experimentarem dificuldades paralelas em seu caminho diferencial do aprendizado, é desafio que a Ciência vem deslindando paulatinamente, em130 anos de pesquisas. E com o avanço tecnológico de nossos dias, com destaque ao apoio da técnica de ressonância magnética funcional, as conquistas dos últimos dez anos têm trazido respostas significativas sobre o que é Dislexia.
A complexidade do entendimento do que é Dislexia, está diretamente vinculada ao entendimento do ser humano: de quem somos; do que é Memória e Pensamento- Pensamento e Linguagem; de como aprendemos e do por quê podemos encontrar facilidades até geniais, mescladas de dificuldades até básicas em nosso processo individual de aprendizado. O maior problema para assimilarmos esta realidade está no conceito arcaico de que: "quem é bom, é bom em tudo"; isto é, a pessoa, porque inteligente, tem que saber tudo e ser habilidosa em tudo o que faz. Posição equivocada que Howard Gardner aprofundou com excepcional mestria, em suas pesquisas e estudos registrados, especialmente, em sua obra Inteligências Múltiplas. Insight que ele transformou em pesquisa cientificamente comprovada, que o alçou à posição de um dos maiores educadores de todos os tempos.
A evolução progressiva de entendimento do que é Disléxia, resultante do trabalho cooperativo de mentes brilhantes que têm-se doado em persistentes estudos, tem marcadores claros do progresso que vem sendo conquistado. Durante esse longo período de pesquisas que transcende gerações, o desencontro de opiniões sobre o que é Dislexia redundou em mais de cem nomes para designar essas específicas dificuldades de aprendizado, e em cerca de 40 definições, sem que nenhuma delas tenha sido universalmente aceita. Recentemente, porém, no entrelaçamento de descobertas realizadas por diferentes áreas relacionadas aos campos da Educação e da Saúde, foram surgindo respostas importantes e conclusivas, como:
que Dislexia tem base neurológica, e que existe uma incidência expressiva de fator genético em suas causas, transmitido por um gene de uma pequena ramificação do cromossomo # 6 que, por ser dominante, torna Dislexia altamente hereditária, o que justifica que se repita nas mesmas famílias;
que o disléxico tem mais desenvolvida área específica de seu hemisfério cerebral lateral-direito do que leitores normais. Condição que, segundo estudiosos, justificaria seus "dons" como expressão significativa desse potencial, que está relacionado à sensibilidade, artes, atletismo, mecânica, visualização em 3 dimenões, criatividade na solução de problemas e habilidades intuitivas;
que, embora existindo disléxicos ganhadores de medalha olímpica em esportes, a maioria deles apresenta imaturidade psicomotora ou conflito em sua dominância e colaboração hemisférica cerebral direita-esquerda. Dentre estes, há um grande exemplo brasileiro que, embora somente com sua autorização pessoal poderíamos declinar o seu nome, ele que é uma de nossas mentes mais brilhantes e criativas no campo da mídia, declarou: "Não sei por que, mas quem me conhece também sabe que não tenho domínio motor que me dê a capacidade de, por exemplo, apertar um simples parafuso";
que, com a conquista científica de uma avaliação mais clara da dinâmica de comando cerebral em Dislexia, pesquisadores da equipe da Dra. Sally Shaywitz, da Yale University, anunciaram, recentemente, uma significativa descoberta neurofisiológica, que justifica ser a falta de consciência fonológica do disléxico, a determinante mais forte da probabilidade de sua falência no aprendizado da leitura;
que o Dr. Breitmeyer descobriu que há dois mecanismos inter-relacionados no ato de ler: o mecanismo de fixação visual e o mecanismo de transição ocular que, mais tarde, foram estudados pelo Dr. William Lovegrove e seus colaboradores, e demonstraram que crianças disléxicas e não-disléxicas não apresentaram diferença na fixação visual ao ler; mas que os disléxicos, porém, encontraram dificuldades significativas em seu mecanismo de transição no correr dos olhos, em seu ato de mudança de foco de uma sílaba à seguinte, fazendo com que a palavra passasse a ser percebida, visualmente, como se estivesse borrada, com traçado carregado e sobreposto. Sensação que dificultava a discriminação visual das letras que formavam a palavra escrita. Como bem figura uma educadora e especialista alemã, "... É como se as palavras dançassem e pulassem diante dos olhos do disléxico".

A dificuldade de conhecimento e de definição do que é Dislexia, faz com que se tenha criado um mundo tão diversificado de informações, que confunde e desinforma. Além do que a mídia, no Brasil, as poucas vezes em que aborda esse grave problema, somente o faz de maneira parcial, quando não de forma inadequada e, mesmo, fora do contexto global das descobertas atuais da Ciência.
Dislexia é causa ainda ignorada de evasão escolar em nosso país, e uma das causas do chamado "analfabetismo funcional" que, por permanecer envolta no desconhecimento, na desinformação ou na informação imprecisa, não é considerada como desencadeante de insucessos no aprendizado.
Hoje, os mais abrangentes e sérios estudos a respeito desse assunto, registram 20% da população americana como disléxica, com a observação adicional: "existem muitos disléxicos não diagnosticados em nosso país". Para sublinhar, de cada 10 alunos em sala de aula, dois são disléxicos, com algum grau significativo de dificuldades. Graus leves, embora importantes, não costumam sequer ser considerados.
Também para realçar a grande importância da posição do disléxico em sala de aula cabe, além de considerar o seríssimo problema da violência infanto-juvenil, citar o lamentável fenômeno do suicídio de crianças que, nos USA, traz o gravíssimo registro de que 40 (quarenta) crianças se suicidam todos os dias, naquele país. E que dificuldades na escola e decepção que eles não gostariam de dar a seus pais estão citadas entre as causas determinantes dessa tragédia.
Ainda é de extrema relevância considerar estudos americanos, que provam ser de 70% a 80% o número de jovens delinqüentes nos USA, que apresentam algum tipo de dificuldades de aprendizado. E que também é comum que crimes violentos sejam praticados por pessoas que têm dificuldades para ler. E quando, na prisão, eles aprendem a ler, seu nível de agressividade diminui consideravelmente.
O Dr. Norman Geschwind, M.D., professor de Neurologia da Harvard Medical School; professor de Psicologia do MIT - Massachussets Institute of Tecnology; diretor da Unidade de Neurologia do Beth Israel Hospital, em Boston, MA, pesquisador lúcido e perseverante que assumiu a direção da pesquisa neurológica em Dislexia, após a morte do pesquisador pioneiro, o Dr. Samuel Orton, afirma que a falta de consenso no entendimento do que é Dislexia, começou a partir da decodificação do termo criado para nomear essas específicas dificuldades de aprendizado; que foi elegido o significado latino dys, como dificuldade; e lexia, como palavra. Mas que é na decodificação do sentido da derivação grega de Dislexia, que está a significação intrínsica do termo: dys, significando imperfeito como disfunção, isto é, uma função anormal ou prejudicada; e lexia que, do grego, dá significação mais ampla ao termo palavra, isto é, como Linguagem em seu sentido abrangente.
Por toda complexidade do que, realmente, é Dislexia; por muita contradição derivada de diferentes focos e ângulos pessoais e profissionais de visão; porque os caminhos de descobertas científicas que trazem respostas sobre essas específicas dificuldades de aprendizado têm sido longos e extremamente laboriosos, necessitando, sempre, de consenso, é imprescindível um olhar humano, lógico e lúcido para o entendimento maior do que é Dislexia.
Dislexia é uma específica dificuldade de aprendizado da Linguagem: em Leitura, Soletração, Escrita, em Linguagem Expressiva ou Receptiva, em Razão e Cálculo Matemáticos, como na Linguagem Corporal e Social. Não tem como causa falta de interesse, de motivação, de esforço ou de vontade, como nada tem a ver com acuidade visual ou auditiva como causa primária. Dificuldades no aprendizado da leitura, em diferentes graus, é característica evidenciada em cerca de 80% dos disléxicos.
Dislexia, antes de qualquer definição, é um jeito de ser e de aprender; reflete a expressão individual de uma mente, muitas vezes arguta e até genial, mas que aprende de maneira diferente...

Disgrafia é uma inabilidade ou atraso no desenvolvimento da Linguagem Escrita, especialmente da escrita cursiva. Escrever com máquina datilográfica ou com o computador pode ser muito mais fácil para o disléxico. Na escrita manual, as letras podem ser mal grafadas, borradas ou incompletas, com tendência à escrita em letra de forma. Os erros ortográficos, inversões de letras, sílabas e números e a falta ou troca de letras e números ficam caracterizados com muita frequência... Ler mais sobre>

Discalculia - As dificuldades com a Linguagem Matemática são muito variadas em seus diferentes níveis e complexas em sua origem. Podem evidenciar-se já no aprendizado aritmético básico como, mais tarde, na elaboração do pensamento matemático mais avançado. Embora essas dificuldades possam manifestar-se sem nenhuma inabilidade em leitura, há outras que são decorrentes do processamento lógico-matemático da linguagem lida ou ouvida. Também existem dificuldades advindas da imprecisa percepção de tempo e espaço, como na apreensão e no processamento de fatos matemáticos, em sua devida ordem...Ler mais sobre>
Deficiência de Atenção - É a dificuldade de concentrar e de manter concentrada a atenção em objetivo central, para discriminar, compreender e assimilar o foco central de um estímulo. Esse estado de concentração é fundamental para que, através do discernimento e da elaboração do ensino, possa completar-se a fixação do aprendizado. A Deficiência de Atenção pode manifestar-se isoladamente ou associada a uma Linguagem Corporal que caracteriza a Hiperatividade ou, opostamente, a Hipoatividade...Ler mais sobre>

Hiperatividade - Refere-se à atividade psicomotora excessiva, com padrões diferenciais de sintomas: o jovem ou a criança hiperativa com comportamento impulsivo é aquela que fala sem parar e nunca espera por nada; não consegue esperar por sua vez, interrompendo e atropelando tudo e todos. Porque age sem pensar e sem medir conseqüências, está sempre envolvida em pequenos acidentes, com escoriações, hematomas, cortes. Um segundo tipo de hiperatividade tem como característica mais pronunciada, sintomas de dificuldades de foco de atenção. É uma superestimulação nervosa que leva esse jovem ou essa criança a passar de um estímulo a outro, não conseguindo focar a atenção em um único tópico. Assim, dá a falsa impressão de que é desligada mas, ao contrário, é por estar ligada em tudo, ao mesmo tempo, que não consegue concentrar-se em um único estímulo, ignorando outros...Ler mais sobre>
Hipoatividade - A Hipoatividade se caracteriza por um nível baixo de atividade psicomotora, com reação lenta a qualquer estímulo. Trata-se daquela criança chamada "boazinha", que parece estar, sempre, no "mundo da lua", "sonhando acordada". Comumente o hipoativo tem memória pobre e comportamento vago, pouca interação social e quase não se envolve com seus colegas...Ler mais sobre>